Parkinson em Portugal e como a fisioterapia pode ajudar!

Neste artigo

A doença de Parkinson é uma condição neurológica crónica, progressiva, que afeta principalmente o movimento, o equilíbrio e a coordenação. À medida que os sintomas evoluem, as atividades diárias como caminhar, vestir-se ou levantar-se de uma cadeira podem tornar-se cada vez mais desafiantes. Para além da intervenção médica, a fisioterapia é um aliado fundamental na gestão destas mudanças, ajudando as pessoas a manter a mobilidade, a confiança e a qualidade de vida. 

Atualmente, esta patologia é uma das doenças neurológicas mais frequentes associadas ao envelhecimento. Em Portugal, estima-se que existam entre 18 mil e 20 mil pessoas com diagnóstico, afetando cerca de 1% das pessoas com mais de 60 anos. Com o envelhecimento da população portuguesa, prevê-se que o número de casos continue a aumentar nas próximas décadas, tornando esta condição um importante desafio de saúde pública. 


Compreender o que está na base da Doença de Parkinson:

A Doença de Parkinson caracteriza-se pela degeneração progressiva de células nervosas localizadas na substância negra do nosso cérebro. Estas células são responsáveis pela produção de dopamina, um neurotransmissor essencial para o controlo dos movimentos. A diminuição da produção de dopamina interfere com a capacidade do cérebro de coordenar movimentos de forma fluida e automática. Como resultado, surgem alterações como lentidão, rigidez e dificuldade em realizar movimentos e atividades habituais.

O mecanismo exato por de trás do desenvolvimento desta patologia ainda não está totalmente esclarecido, mas a evidência científica aponta para a influência de vários fatores, incluindo o envelhecimento, a predisposição genética e fatores ambientais.


Como é que a Doença de Parkinson se pode manifestar?

Os sintomas podem variar de pessoa para pessoa, mas existem características frequentes:

  • Tremor em repouso, geralmente com início numa das mãos;
  • Rigidez ou rigidez muscular;
  • Lentidão dos movimentos (bradicinesia), fazendo com que as tarefas pareçam difíceis e lentas;
  • Instabilidade postural e alterações, condicionando o aumento de risco de queda;
  • Marcha arrastada com passos curtos, redução do movimento dos braços e dificuldade em iniciar ou parar de andar;

Os sintomas não motores são também frequentes e podem incluir fadiga, perturbações do sono, obstipação, dor, alterações de humor e dificuldades cognitivas. Em conjunto, estes sintomas podem afetar significativamente a independência, a participação na vida diária e, sobretudo, a qualidade de vida dos utentes.


Quando devo procurar um Fisioterapeuta?

A intervenção precoce é importante, mesmo em fases iniciais da doença. A intervenção precoce ajuda a manter hábitos de movimento, reduzir o descondicionamento físico e atua na promoção de estratégias que facilitem as tarefas do dia a dia. Deve considerar procurar um Fisioterapeuta quando:

  • Nota alterações na marcha, no equilíbrio ou na postura;
  • Sente maior dificuldade em realizar tarefas do dia a dia
  • Sofreu uma ou mais quedas ou sente um medo crescente de cair;
  • Tem dúvidas sobre que tipo de exercício é seguro e eficaz para si;
  • Pretende estabelecer um plano de exercício a longo prazo, adaptado à fase da doença de Parkinson e aos seus objetivos pessoais.

O que esperar de uma sessão de Fisioterapia para a Doença de Parkinson?

Numa sessão de fisioterapia para a Doença de Parkinson, começa-se por uma avaliação detalhada para identificar os principais problemas e necessidades de cada pessoa e sua família. Com base nesta avaliação, é definido um plano de intervenção individualizado, ajustado à fase da doença e focado em melhorar a funcionalidade, a segurança e a autonomia.  As principais intervenções podem incluir:

  • Treino de marcha e equilíbrio: exercícios para melhorar o comprimento do passo, a velocidade da marcha, as viragens e reduzir o risco de quedas;
  • Exercícios de força e resistência: para membros inferiores, superiores e tronco, essenciais para manter a autonomia;
  • Exercícios de flexibilidade: alongamentos e mobilidade articular para reduzir rigidez e melhorar a postura;
  • Treino funcional: prática de atividades do dia a dia, como levantar-se, virar-se na cama ou alcançar objetos;
  • Estratégias e educação: técnicas para lidar com o congelamento da marcha, transferências seguras e organização de rotinas diárias.

Porquê optar pelo acompanhamento da Fisioterapia ao Domicílio?

A fisioterapia domiciliária leva a reabilitação para o lar do utente, oferecendo uma alternativa conveniente e eficaz aos cuidados em clínicas.  

  • Ambiente familiar: Praticar exercícios e estratégias em casa torna-os diretamente relevantes para o contexto da vida real do utente;
  • Conveniência e adesão: Reduz a necessidade de deslocações e facilita a continuidade das sessões a longo prazo;
  • Avaliação de segurança personalizada: Identificar riscos específicos de quedas em casa (tapetes soltos, iluminação inadequada, corrimãos insuficientes) e sugerir adaptações práticas.
  • Empoderamento e rotina: Estabelecer rotinas de exercício simples e personalizadas que incentive a autonomia e promova a confiança do utente e dos cuidadores na gestão da doença;
  • Monitorização contínua: Permitir o ajuste regular do plano conforme a evolução dos sintomas, garantindo que o programa se mantenha eficaz e adequadamente desafiante.

Perguntas Frequentes (FAQ)

A fisioterapia é indicada em todas as fases da Doença de Parkinson?
Sim. A fisioterapia deve começar o mais cedo possível e adaptar-se à evolução da doença, ajudando a manter a mobilidade, o equilíbrio e a autonomia.

A fisioterapia pode ajudar a reduzir o risco de quedas?
Sim. O treino de equilíbrio, marcha e força muscular é fundamental para aumentar a segurança e reduzir o risco de quedas.

Que tipo de exercícios são recomendados?
Exercícios de marcha, equilíbrio, força, mobilidade e treino funcional. O plano deve ser sempre adaptado à fase da doença e às necessidades da pessoa.

A fisioterapia ajuda nos sintomas não motores, como ansiedade ou fadiga?
Sim. A atividade física regular pode contribuir para melhorar o humor, reduzir a ansiedade e aumentar a energia e qualidade do sono.

Posso fazer fisioterapia em casa?
Sim. A fisioterapia ao domicílio permite trabalhar no ambiente real, adaptar o espaço e facilitar a continuidade do tratamento.


Tenho Parkinson, e agora…?

Receber um diagnóstico de Parkinson pode gerar medo, incerteza e dúvidas sobre o futuro. Com uma abordagem multidisciplinar, incluindo médicos, fisioterapeutas, psicólogos, entre outras áreas da saúde, é possível aprender a gerir sintomas, a manter a independência e preservar a qualidade de vida. 

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Artigo elaborado por Fisioterapeuta Liliana Morgado – OF nº 12603 


Fontes:

  • Radder DLM, Lígia Silva de Lima A, Domingos J, et al. Physiotherapy in Parkinson’s Disease: A Meta-Analysis of Present Treatment Modalities. Neurorehabil Neural Repair. 2020;34(10):871-880. doi:10.1177/1545968320952799
  • Hare M, Hill J, Clegg A. Home-Based Exercise and People With Parkinson’s Disease: A Systematic Review. Br J Neurosci Nurs. 2020;16(5):230-232. doi:10.12968/bjnn.2020.16.5.230
  • Ge, Y., Zhao, W., Zhang, L. et al. Home physical therapy versus telerehabilitation in improving motor function and quality of life in Parkinson’s disease: a randomized controlled trial. BMC Geriatr 24, 968 (2024). https://doi.org/10.1186/s12877-024-05529-6
  • Pirtošek Z. Breaking barriers in Parkinson’s care: the multidisciplinary team approach. J Neural Transm (Vienna). 2024;131(11):1349-1361. doi:10.1007/s00702-024-02843-6

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