Lesão no menisco: Tratamento com fisioterapia

Neste artigo

Dor, bloqueio ou inchaço no joelho? Pode ser uma rutura meniscal. Descubra como a fisioterapia pode ajudar a recuperar a função e evitar cirurgia.

As lesões no menisco são comuns, especialmente em pessoas ativas ou com desgaste articular. Podem causar dor, inchaço e bloqueio da articulação. O tratamento depende do tipo de lesão: algumas exigem cirurgia, mas muitas são eficazmente tratadas com fisioterapia. O acompanhamento adequado permite recuperar a mobilidade, a força e a estabilidade do joelho.

avaliação de fisioterapia no joelho de um atleta

O joelho: uma articulação sob pressão

O joelho é uma articulação do membro inferior que suporta grandes cargas — pelo peso do corpo, padrão de movimento e até pela forma como o pé assenta no solo. Cada pessoa distribui essa carga de forma diferente, pelo que é essencial uma avaliação individualizada.


O que são os meniscos?

Os meniscos são estruturas de cartilagem em forma de meia-lua, localizadas entre o fémur e a tíbia (articulação tibiofemoral). Existem dois:

  • Menisco medial/interno (parte interna do joelho)
  • Menisco lateral/externo (parte externa)

Funções principais:

  • Absorção de impacto
  • Estabilização da articulação
  • Lubrificação e proteção da cartilagem articular
imagem ilustrativa da anatomia de um joelho

Como ocorre a lesão do menisco?

As lesões meniscais acontecem sobretudo em:

  • Praticantes de desporto com mudanças bruscas de direção
  • Pessoas que fazem movimentos repetitivos de flexão e torção do joelho
  • Indivíduos com degeneração articular devido à idade ou desgaste acumulado

Sintomas mais comuns:

  • Dor localizada no joelho
  • Inchaço (edema)
  • Limitação de movimento
  • Sensação de bloqueio ou instabilidade
  • Estalidos ou sensação de “algo preso” na articulação

Tipos de lesões meniscais

As ruturas podem ser:

Traumáticas

  • Mais comuns em jovens e atletas
  • Associadas a movimentos bruscos ou lesão ligamentar
  • Podem requerer cirurgia, sobretudo se houver bloqueio articular

Degenerativas

  • Desenvolvem-se com o tempo, por desgaste
  • Mais frequentes a partir dos 30 anos
  • Costumam ser tratadas com fisioterapia e medicação

Diagnóstico

O diagnóstico baseia-se em:

  • História clínica detalhada
  • Exame físico com testes ortopédicos específicos
  • Ressonância magnética, que confirma o tipo e extensão da lesão

Tratamento: conservador ou cirúrgico?

Depende da localização, tipo de rutura, idade, nível de atividade e sintomas.

Tratamento conservador (sem cirurgia):

  • Indicado em casos degenerativos ou sem bloqueio
  • Inclui fisioterapia e controlo da inflamação com medicação

Tratamento cirúrgico:

  • Indicado em lesões traumáticas com sintomas marcados
  • Pode incluir:
    • Meniscectomia parcial ou total
    • Sutura meniscal
    • Transplante meniscal (em casos específicos)
avaliação do joelho de atleta por fisioterapeuta
imagem do início de cirurgia ao joelho

O papel da fisioterapia

A fisioterapia tem como objetivo:

  • Reduzir a dor e o inchaço
  • Manter a mobilidade articular
  • Fortalecer os músculos do joelho e da coxa
  • Melhorar o controlo motor e a estabilidade
  • Evitar a cirurgia ou potenciar a recuperação no pós-operatório

Cada plano é personalizado, ajustado à fase da lesão (aguda, subaguda ou crónica) e ao perfil da pessoa.


Perguntas frequentes (FAQ)

Preciso sempre de cirurgia para uma lesão no menisco?
Não. Muitas lesões são tratadas com fisioterapia e medicação, especialmente as degenerativas.

Quanto tempo demora a recuperação com fisioterapia?
Depende da gravidade da lesão, mas os sintomas podem melhorar significativamente em 4 a 8 semanas com seguimento adequado.

Posso fazer exercício com lesão meniscal?
Sim, mas com orientação. A fisioterapia inclui exercícios seguros e progressivos que não agravam a lesão.


Lesão no menisco? Nós podemos ajudar.

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Artigo elaborado por Fisioterapeuta Mariana Berlenga – OF nº 8552


Fontes:

  • Cavanaugh, J. (2014) ‘Rehabilitation of meniscal injury and surgery’, Journal of Knee Surgery, 27(06), pp. 459–478. doi:10.1055/s-0034-1394299.

  • Chirichella, P.S. et al. (2019) ‘Treatment of knee meniscus pathology: Rehabilitation, surgery, and Orthobiologics’, PM&R, 11(3), pp. 292–308. doi:10.1016/j.pmrj.2018.08.384.

  • Hede, A. et al. (1990) ‘Epidemiology of meniscal lesions in the knee: 1,215 open operations in Copenhagen 1982-84’, Acta Orthopaedica Scandinavica, 61(5), pp. 435–437. doi:10.3109/17453679008993557.

  • C B Weiss (1989) ‘Non-operative treatment of meniscal tears’, The Journal of Bone & Joint Surgery.

  • Beaufils, P. and Pujol, N. (2017) ‘Management of traumatic meniscal tear and degenerative meniscal lesions. save the meniscus’, Orthopaedics & Traumatology: Surgery & Research, 103(8). doi:10.1016/j.otsr.2017.08.003.

  • Bhan, K. (2020) ‘Meniscal tears: Current understanding, diagnosis, and management’, Cureus [Preprint]. doi:10.7759/cureus.8590.

 

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